Terras Submersas
- 2 de abr.
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Terras Submersas, (Editora Mondru, 168 págs.), livro de estreia do mineiro Lincoln de Barros, é um romance sobre experiências reais, os trágicos efeitos da expansão capitalista nos confins do Brasil. Uma hidrelétrica abre suas comportas e inunda sem aviso as terras ribeirinhas, submergindo casas, cultivos, lembranças e tudo o que tivesse sido tocado pela mão das pessoas. Pequenos proprietários, arrendatários, garimpeiros e trabalhadores temporários são os personagens do drama: fatos e depoimentos reais conformam o cenário do livro, a voz e os sonhos dessas pessoas definem no livro sua busca por justiça.
Nesse cenário, a transformação súbita e radical da paisagem, do ambiente e do modo de produção e da vida das pessoas que viviam lá com o enchimento do lago, faz com que, de certa forma, o lago seja também um personagem principal.
Obra nascida da experiência direta do autor, participante da auditoria social na hidrelétrica de Canabrava, no norte de Goiás, o romance conta uma história como muitas do Brasil profundo, que raramente aparecem na ficção brasileira, buscando registrar o papel do movimento social e a tensão constante entre esperança e desesperança, ao transformar memória social em narrativa literária.

O LAGO
O lago cobre quase tudo, menos os altos. Azul. Aqui e ali, perto das margens, esqueletos de buritis se acinzentam acima da água. Os pilares da ponte inacabada ligam imaginariamente as duas pontas da estrada de terra interrompida pela água.
Há uma balsa do outro lado, não se vê o balseiro. Buzina e espera. O olhar em volta remonta o quadro. Os galpões da obra mais acima, vazios, as paredes antes brancas, máquinas abandonadas no pátio, a cerca de arame que teima em fechar a passagem. Na margem de cá, duas canoas emborcadas ao lado de um cais improvisado. Nesse braço não se distingue o rio, aqui a água é um grande remanso.
- Então, esse é o lago! A voz de Irene rompe o silêncio do ermo, pesado desde que parou o motor do carro.


Sobre o Autor
Lincoln de Barros é mineiro de Belo Horizonte, licenciado em Filosofia e mestre em Administração Pública. Trabalhou muitos anos em informática, na área pública e privada, e outro tanto como consultor em análise social de projetos para organismos internacionais de desenvolvimento econômico e social. Na juventude foi balconista de farmácia, motorista de táxi, gerente de locadora de carros e sindicalista, além de ter tentado ser ator, entre outras experiências. Hoje aposentado, 76 anos, casado, duas filhas e um filho criados e soltos no mundo, é atualmente presidente da Fundação Grupo Esquel Brasil, voltada para alternativas de desenvolvimento sustentável e conselheiro do CONFOCO – Conselho Nacional de Fomento e Colaboração da Secretaria Geral da Presidência da República.
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