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Nelson Lourenço

  • 12 de fev.
  • 5 min de leitura

Atualizado: 15 de fev.

Nelson Lourenço, escritor
Nelson Lourenço, escritor


Não gosto de fixar mensagens, mas deixo aqui o que um dos leitores me escreveu sobre o livro: “Sobrevivemos... Porque nos fortalecemos.” É uma outra forma de dizer o que John Lennon escreveu em uma de suas canções e eu escolhi para ser a epígrafe do livro: “Por que estamos aqui?; Certamente não é para sofrer e ter medo.”




Deixar de ser visto e respeitado como uma pessoa para ter suas características pessoais categorizadas de forma pejorativa pode se tornar um evento traumático. Todos nós já ouvimos histórias do que hoje se chama de 'bullying' e até mesmo, já fomos incentivados a tratar diferente e a deixar de lado algum colega, por suas características pessoais. Uma atitude que parece inofensiva e corriqueira aos olhos dos desinteressados pode tomar proporções que marcam vidas para sempre. Doni havia sentido isso na pele quando criança e agora enfrentava a dor de ver o próprio filho passando por bullying, reativando memórias dolorosas de situações que ele desejava nunca ter vivenciado. Os leitores são convidados a acompanharem essa jornada de reflexão contra o bullying em 'Pedras Espalhadas pelo Caminho", livro mais recente de Nelson Lourenço.

Natural do interior do Paraná, o jornalista Nelson Lourenço viveu em São Paulo durante toda sua vida. Começou a escrever na pandemia de 2020. Já publicou crônicas em jornais locais, participou de coletâneas de contos, foi curador de festas literárias e ministrante de oficinas sobre literatura.

O Pauta Literária conversa com o autor hoje.


PL: Como e quando surgiu sua relação com a escrita?


Nelson Lourenço: Percebi que a escrita era a forma como eu melhor me expressava no colégio. Fiz escola técnica e ninguém ligava para as aulas de literatura. Um dia a professora me chamou para escrever algo, uma homenagem aos professores. Pensei “acho que sou bom nisso”. Foi quando comecei a escrever as minhas primeiras histórias.


PL: O que motivou a criação do seu livro mais recente?


Nelson Lourenço: Foi exatamente o ambiente desse colégio em que estudei, uma escola de meninos, quase um internato, onde a barra era pesada.


PL: Sobre o que é a obra e que tipo de leitor ela pretende alcançar?


Nelson Lourenço: Era pra ser um livro de formação, focado apenas no amadurecimento de um menino de 14 anos, mas acabou evoluindo para uma história sobre bullying e relações familiares. Assim, ela se tornou uma história que atinge pais e filhos.


PL: Há alguma mensagem ou reflexão central do livro que você gostaria que o leitor levasse consigo?


Nelson Lourenço: Não gosto de fixar mensagens, mas deixo aqui o que um dos leitores me escreveu sobre o livro: “Sobrevivemos... Porque nos fortalecemos.” É uma outra forma de dizer o que John Lennon escreveu em uma de suas canções e eu escolhi para ser a epígrafe do livro: “Por que estamos aqui?; Certamente não é para sofrer e ter medo.”


PL: Quais foram os principais desafios enfrentados durante a criação do livro?


Nelson Lourenço: O principal desafio foi retratar o bullying sem ser esquemático ou professoral. Não era apenas uma questão de condenar a prática do bullying, mas sim tentar entendê-lo. Sabia que o livro seria lido por educadores, que são sempre muito críticos. Então, houve um trabalho prévio de pesquisa. Reconheci que o bullying sempre existiu, apesar de antes não ter esse nome, e se perpetua. É uma crueldade que se reinventa, e que hoje tem ramificações como o cyberbullying, bem como pontos de contato com o cancelamento, que a filósofa Marilena Chauí definiu como um "assassinato em vida', socialmente aceito. O bullying será sempre uma agressão e, cometido na escola, pode ser também comparado a um crime sem castigo, no sentido que ele representa a perda da inocência de uma maneira violenta, algo que deixa marcas na pessoa por toda a vida.


PL: Quais autores, livros ou experiências influenciaram sua escrita?


Nelson Lourenço: No caso de 'Pedras Espalhadas pelo Caminho', o que presenciei no colégio foi o ponto de partida. Escrevi dois outros livros que tomam, como cenário, a pandemia, que me afetou bastante. Meu livro de estreia, por sua vez, é inspirado por ícones da cultura pop, principalmente do rock, que sempre me influenciou.

A propósito, voltando ao John Lennon: por influência de um tio, sou, desde moleque, um fã dos Beatles. Quando Lennon foi assassinado, descobri que havia um livro de nome estranho, chamado 'O Apanhador no Campo de Centeio'. Era o livro que o assassino carregava quando disparou contra o ex-Beatle. Tempos depois, li 'O Apanhador'. Foi o livro que me deu a certeza de que um dia seria escritor. A história contada em primeira pessoa começa num colégio norte-americano dos anos 1950 e, olha só, já tinha um perfeito caso de bullying lá – o isolamento de um menino que tinha acne severa. Charles Bukowski, hoje cancelado por ter sido misógino, também enfrentou problemas com acne. Escreveu sobre isso em 'Misto Quente', um visceral autorretrato de sua infância e adolescência.


PL: O que você considera mais importante na sua trajetória como escritor(a) até agora?


Nelson Lourenço: Ter conquistado leitores (menos do que desejo, por enquanto) e conseguir amadurecer minha escrita ao longo desse processo.


PL: Que conselho deixaria para quem deseja começar a escrever ou publicar um livro?


Nelson Lourenço: Se ainda não publicou, não tenha pressa. Hoje, publicar não é problema, há editoras independentes aos montes e ainda a possibilidade da autopublicação. O importante é a qualidade da obra. Se já publicou e está em dúvida em prosseguir, saiba que a trajetória é mesmo difícil. Somos um país onde leitores são raros (e o número de escritores só aumenta). Descubra afinidades, partícipe de coletivos, leve sua escrita para a leitura de quem esteja disposto a apontar erros e novas possibilidades, carregue seus livros para as feiras literárias, pense na possibilidade de trabalhar com roteiro ou outras mídias, busque um engajamento orgânico nas redes sociais, encontre uma editora cujo catálogo você gostaria de fazer parte. Se depois de tentar tudo isso, você não encontrar entusiasmo para falar da sua obra, então é sinal de que alguma coisa realmente não está funcionando entre você e o ofício de escritor.


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Livros do autor Nelson Lourenço

Pedras Espalhadas Pelo Caminho

Ano de publicação: 2024

Gênero: Drama sobre bullying

Editora: Mondru

96 páginas


Compre no site da Editora Mondru



Hotel Refúgio

Ano de publicação: 2024 - Edição portuguesa: 2025

Editora: Caravana Editorial

Gênero: Romance policial

98 páginas


Compre no site da Editora Caravana



Um Sorriso Aprisionado

Ano de publicação: 2023

Editora: Kotter Editorial

Gênero: Romance juvenil

116 páginas


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Paraíso Selvagem

Ano de publicação: 2022

Editora: Kotter Editorial

Gênero: Romance

184 páginas


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